CARTA AOS CLIENTES

OUTUBRO 2026

A hora da verdade

O mercado passou dois meses incorporando a eleição aos preços. A partir de domingo, as urnas começam a conferir essa conta, e a sua carteira precisa estar preparada para qualquer resultado.

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NESTA CARTA

› A bolsa se antecipou à urna — de menos de 165 mil pontos em agosto a 186 mil no fim de setembro, no melhor mês do Ibovespa desde janeiro

› O título longo subiu 8,17% no mês — a taxa do Tesouro IPCA+ 2050 cedeu e o preço respondeu, com a maior parte da alta nos últimos dias de setembro

› Lá fora, o ambiente é adverso — o banco central americano voltou a subir juros e o título de dez anos atingiu o maior nível desde 2002

› Voto decidido, pesquisas divergentes — de cinco pontos para um lado a dois para o outro, conforme o instituto

› O caminho passa pelas contas públicas — dívida bruta em 82,9% do PIB e dois ritmos de ajuste em discussão

› Três cenários para segunda-feira — o que a margem do primeiro turno pode fazer com juros, câmbio e bolsa

› Por que o ativo longo oscila mais — um ponto percentual de juro muda em até um quarto o preço de um título de 2050

Como fechou setembro de 2026

O retrato do mês que passou, com o fechamento e a variação dos principais indicadores que acompanhamos nas carteiras.

ÍNDICE FECHAMENTO EM 30/09 VARIAÇÃO EM SETEMBRO
Ibovespa 186.340 pts +5,03%
S&P 500 7.651,54 pts −0,45%
Nasdaq-100 30.408,50 pts +3,23%
Bitcoin (BTC/USD) US$ 83.612,20 +6,42%
IFIX 3.755,22 pts −0,20%
Dólar (USD/BRL) R$ 5,1744 −0,19%
Tesouro IPCA+ 2050 (PU) R$ 942,61 +8,17%

Fechamentos de 30 de setembro de 2026 e variação sobre o fechamento de agosto. No Tesouro IPCA+ 2050, preço de resgate da série histórica oficial do Tesouro Nacional (referência da manhã), com variação calculada sobre os R$ 871,39 de 31 de agosto na mesma série. Fontes: B3, Investing.com e Tesouro Nacional.

Setembro foi o mês em que os ativos brasileiros se descolaram do exterior. O Ibovespa subiu 5,03%, no melhor resultado desde janeiro, enquanto o S&P 500 recuou 0,45% depois de o banco central americano voltar a subir juros, e o Nasdaq-100 avançou 3,23% com o apoio das empresas de tecnologia. O maior número do quadro, porém, está na última linha: o Tesouro IPCA+ 2050 se valorizou 8,17%, mais do que o Bitcoin, e uma alta dessa magnitude em um título público, em apenas trinta dias, é o ponto de partida desta carta. O dólar ficou praticamente estável, e os fundos imobiliários recuaram 0,20%, ainda sem acompanhar o alívio do juro longo, repetindo a defasagem que descrevemos no mês passado.

De onde viemos: da espera à hora da verdade

Na carta de setembro, escrevemos que esperar também tem preço e que o desconto criado pelo juro longo era um ponto de entrada raro para quem tinha horizonte. Um mês depois, parte desse desconto começou a diminuir. O Ibovespa, que em agosto chegou a ser negociado abaixo dos 165 mil pontos, terminou setembro em 186 mil, e o título público de vencimento mais longo que acompanhamos subiu mais de 8% em trinta dias.

Nada disso aconteceu porque o problema fiscal foi resolvido. Aconteceu porque, na leitura predominante entre os investidores, uma disputa presidencial mais apertada eleva a chance de o tema ser enfrentado a partir de 2027, seja qual for o eleito. Preço é expectativa, e toda expectativa um dia é conferida. Essa conferência começa no domingo, 4 de outubro, com o primeiro turno, razão pela qual esta carta trata quase inteiramente de um único assunto.

Antes de seguir, um aviso de método: esta carta não tem candidato. O que nos interessa é o caminho pelo qual o resultado chega ao preço dos seus investimentos, o mesmo para qualquer vencedor.

O que os preços já anteciparam

A alta dos últimos dois meses tem três componentes: (i) o ponto de partida era baixo, com a bolsa descontada e os títulos longos pagando um juro real que poucos países oferecem; (ii) a inflação arrefeceu, com o IPCA de agosto recuando 0,32% e o acumulado em doze meses cedendo para 4,22%, o que permitiu ao Copom cortar a Selic pela quinta vez seguida em 16 de setembro, para 13,75% ao ano; (iii) a disputa presidencial ficou em aberto, e os investidores passaram a dar mais peso à hipótese de um ajuste das contas públicas.

O que torna o movimento mais notável é o ambiente em que ele aconteceu. No mesmo dia em que o Copom reduziu a taxa, o Federal Reserve, o banco central americano, elevou os juros para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, por unanimidade, na primeira alta desde 2023. O petróleo, pressionado pelo conflito no Oriente Médio, chegou a fechar acima de US$ 108 o barril em meados do mês, antes de recuar para perto de US$ 100, e o título americano de dez anos atingiu 5,34% em 1º de outubro, o maior nível desde 2002. Juro americano em alta costuma retirar recursos dos países emergentes, mas desta vez o Brasil avançou na direção oposta.

Os últimos dias trouxeram algum alívio nessa frente. A inflação medida pelo PCE, o índice que o Fed acompanha mais de perto, ficou em 3,4% em doze meses, abaixo dos 3,7% esperados, e o relatório de emprego divulgado em 2 de outubro mostrou a criação de apenas 29 mil vagas em setembro, com o desemprego subindo para 4,2%. Com isso, a probabilidade de uma nova alta de juros na reunião de 27 e 28 de outubro, que os preços de mercado chegaram a colocar acima de 60% na última semana de setembro, caiu para perto de 12%.

Nenhum ativo mostra melhor essa reprecificação do que o Tesouro IPCA+ 2050. A taxa do título cedeu 0,32 ponto percentual em setembro, de IPCA+7,25% para IPCA+6,93% ao ano, e o preço subiu 8,17%, com a maior parte da alta concentrada nos últimos dias do mês.

O QUE ISSO SIGNIFICA NA PRÁTICA

Quem seguiu comprando título longo e ativos descontados nos meses de queda viu o extrato voltar ao terreno positivo em setembro. O ganho, porém, é de marcação a mercado, a atualização diária do preço do título pela taxa negociada naquele dia: reflete uma expectativa melhor, não um fato consumado, e pode recuar se a expectativa mudar. Para quem carrega o título até o vencimento, nada se altera, porque a taxa contratada no dia da compra continua valendo. Para quem ainda vai investir, a taxa de entrada ficou um pouco menor do que há um mês, e a decisão sobre prazo e tamanho da posição cabe à conversa com o seu assessor.

Disputa aberta, voto decidido

A fotografia eleitoral desta semana tem uma característica rara: o eleitor está decidido e as pesquisas não concordam entre si. No Datafolha divulgado em 1º de outubro, Lula aparece com 42% e Flávio Bolsonaro com 38% no primeiro turno, e a simulação de segundo turno entre os dois registra 48% para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro, diferença que configura empate técnico. Quaest e Nexus, ambas de 28 de setembro, mostram vantagem de cinco pontos para Lula, a AtlasIntel de 29 de setembro, de 3,1 pontos, e a Palver, do mesmo dia, empate em 44%. Já a Vox Brasil de 2 de outubro traz Flávio Bolsonaro numericamente à frente, com 41,2% a 40,4%, e a Gerp, do dia 29, aponta 42% a 40% para ele.

A diferença entre os institutos não é sinal de erro, mas consequência de método. Cada um coleta de uma forma, por telefone, pela internet ou em entrevista presencial, e pondera a amostra à sua maneira. Em disputa tão estreita, essas escolhas bastam para mudar a ordem dos nomes.

Ao mesmo tempo, é pequena a parcela de eleitores ainda por convencer. No Datafolha, 80% diziam já ter voto definido, e, no levantamento da Nexus, 87% dos que têm candidato afirmavam que não mudariam. Com bases tão firmes, uma surpresa no domingo dificilmente viria de uma migração em massa de um lado para o outro. Viria de poucos pontos, por três caminhos: (i) o voto útil de quem hoje declara apoio a candidaturas menores; (ii) a abstenção, porque as pesquisas ouvem o eleitorado inteiro, mas a apuração conta apenas quem comparece; (iii) as próprias diferenças de método entre os institutos.

O passado recomenda cautela com a leitura da véspera. Em 2014, Aécio Neves tinha 26% dos votos válidos no último Datafolha e terminou o primeiro turno com 33,6%. Em 2022, Jair Bolsonaro tinha 36% e obteve 43,2%. Esses desvios não dizem quem pode estar subestimado agora, apenas lembram que pesquisa é fotografia, não apuração. Outro dado deve aparecer em toda conversa no domingo à noite e pede a mesma ressalva, porque seis casos formam uma amostra pequena demais para constituir regra: desde 2002, nas seis vezes em que a disputa presidencial foi ao segundo turno, quem terminou o primeiro à frente venceu também o segundo.

Da urna à carteira, o caminho passa pela dívida

Para o preço dos ativos, a eleição só importa na medida em que muda a trajetória esperada das contas públicas, e o ponto de partida é conhecido. O Governo Central acumula déficit primário, a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento de juros, de R$ 94,9 bilhões de janeiro a agosto. A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, e o setor público consolidado registra déficit de 0,62% do PIB em doze meses, quando a estabilização da dívida exigiria superávit de cerca de 2,1%, pelas contas da Instituição Fiscal Independente do Senado. A distância entre os dois números, perto de 2,7 pontos percentuais do PIB, é o tamanho do trabalho que espera o próximo governo.

Os dois candidatos mais bem colocados reconhecem o problema e divergem no ritmo. A campanha de Lula menciona superávit primário de 1,3% do PIB até 2030, e a campanha de Flávio Bolsonaro, um ajuste de cerca de 1,5% do PIB em dezoito meses. Nenhuma das duas explicou até aqui de onde sairão as medidas impopulares que esses números exigem, e nenhum presidente as aprova sozinho. O domingo, portanto, precisa ser lido em duas camadas. Além do Planalto, o eleitor renova a Câmara inteira e 54 das 81 cadeiras do Senado, e é ali que se decide se um ajuste se concretiza, porque mudanças em despesas obrigatórias, tributos e privatizações dependem de maioria parlamentar. Um presidente com discurso de ajuste e sem base entrega menos do que promete, e um Congresso mais rigoroso com o gasto limita qualquer governo.

Há também um detalhe de calendário. A próxima reunião do Copom acontece em 3 e 4 de novembro, depois de 25 de outubro, data reservada a um eventual segundo turno, de modo que o Banco Central passará todo o mês de outubro sem decidir. Quando voltar a se reunir, encontrará uma inflação menos confortável: o IPCA-15 de setembro, a prévia da inflação oficial, subiu 0,70% e levou o acumulado em doze meses a 4,47%, com a conta de luz devolvendo o desconto temporário de agosto. A projeção do boletim Focus, a pesquisa semanal do Banco Central com as estimativas do mercado, para a inflação de 2026 chegou a 4,99%, acima do teto da meta, de 4,5%. O mesmo boletim projeta a Selic em 13,50% no fim do ano, o que significa apenas mais um corte.

Parte da inflação, além disso, está represada. A Petrobras reajustou o diesel em R$ 1,00 por litro em 17 de setembro, mas uma subvenção federal de mesmo valor, renovável a cada trinta dias, impediu que o aumento chegasse às distribuidoras. O choque do petróleo não desapareceu, apenas foi transferido do posto para o Tesouro, e seguirá na pauta de quem assumir em janeiro.

Na carta passada, apresentamos os dois Brasis de 2027, a partir de um estudo do BTG Pactual com os preços de 5 de agosto. O juro de 2031 saiu de 14,2% para 13,96% ao ano no fim de setembro, a bolsa foi de 178 mil para 186 mil pontos e o dólar pouco se moveu, de R$ 5,13 para R$ 5,17.

O movimento é um passo na direção do cenário com ajuste, que previa juro perto de 12%, dólar entre R$ 4,65 e R$ 4,90 e Ibovespa entre 205 mil e 225 mil pontos, mas ainda está muito distante dele. O cenário sem ajuste, com juro acima de 16,5%, dólar acima de R$ 6,15 e bolsa abaixo de 134 mil pontos, segue igualmente possível.

A LEITURA PARA O INVESTIDOR

O mercado fez um movimento modesto apostando em um ajuste que ainda não existe, e isso abre duas possibilidades: se a expectativa se confirmar ao longo dos próximos meses, há muito espaço entre os preços de hoje e os do cenário favorável; se ela se frustrar, o que subiu em setembro pode ser devolvido. Nenhum dos dois desfechos depende apenas do domingo, pois ambos dependem também de um eventual segundo turno, da composição do Congresso, da equipe econômica e, por fim, do que for aprovado em 2027.

Segunda-feira: três cenários e o que observar

Como o preço já embute uma expectativa, a reação de segunda-feira depende menos de quem chegar à frente e mais da distância entre o resultado e o que estava previsto. A mesa de mercados emergentes do Goldman Sachs traduziu essa distância em três faixas, em análise divulgada em 30 de setembro: (i) Lula à frente por mais de quatro pontos, com risco de correção nos ativos brasileiros; (ii) Lula à frente por dois a quatro pontos, cenário já refletido nos preços; (iii) empate ou Flávio Bolsonaro à frente, com potencial de alta forte. Trata-se da leitura do banco sobre a reação dos preços, e não de uma avaliação desta casa sobre as candidaturas.

As pesquisas desta semana, que vão de cinco pontos para um lado a dois para o outro, comportam os três cenários. Há um precedente recente na região: na Colômbia, o primeiro turno de 31 de maio contrariou as pesquisas, e a bolsa local subiu 6,85% no pregão seguinte. O mecanismo é o que interessa, e ele funciona nos dois sentidos, porque é a surpresa em relação ao esperado, e não o nome do vencedor, que move os preços.

OS TRÊS SINAIS PARA ACOMPANHAR

São três sinais, nesta ordem: (i) o juro longo, visível na taxa dos títulos públicos indexados à inflação, que reage primeiro e traduz diretamente a percepção sobre a dívida; (ii) o câmbio, que precisa ser lido junto com o dólar no mundo e com o petróleo, porque ambos também variam; (iii) a bolsa, que reage por último e de forma desigual, com resposta maior dos setores de fluxos de caixa mais longos. Em todos os casos, o preço do fim do dia e o comportamento ao longo da semana informam mais do que a abertura, momento de baixa liquidez e maior volatilidade.

Convém resistir à tentação de montar a carteira para um desses cenários. Concentrar o patrimônio no desfecho considerado mais provável é fazer uma aposta, e aposta em evento de data marcada é terreno no qual a Cash Wise não entra. O trabalho do investidor de longo prazo é outro, e foi feito antes: chegar ao domingo com uma carteira que não precise de um resultado específico para funcionar.

Conteúdo técnico: por que o juro longo oscila tanto

Há uma razão para o título de 2050 ter subido mais de 8% em um mês no qual a Selic caiu apenas 0,25 ponto percentual, e ela se chama duration. O termo mede o prazo médio em que o investidor recebe os pagamentos de um investimento. Quanto mais distante está esse dinheiro, mais o valor de hoje depende da taxa usada para trazê-lo ao presente, porque o efeito dos juros compostos se acumula por mais anos. Para dar um exemplo, imagine um título que paga R$ 1.000, corrigidos pela inflação, em agosto de 2050, sem nenhum pagamento no caminho. A uma taxa de IPCA+7% ao ano, ele valia R$ 198,83 em 30 de setembro. Se a taxa cair para 6%, o mesmo título passa a valer R$ 248,80, alta de 25,13%. Se subir para 8%, vale R$ 159,24, queda de 19,92%. Basta um ponto percentual para o preço mudar em até um quarto.

O ganho na queda da taxa é maior do que a perda na alta, assimetria que se chama convexidade e é uma propriedade matemática dos títulos de longo prazo, não uma promessa. No outro extremo, um título com vencimento em 2029 oscilaria cerca de 2,5% para cada lado no mesmo exercício, e o Tesouro Selic quase não oscila, razão pela qual serve de reserva. Foi essa conta que apareceu no extrato de setembro: a queda de 0,32 ponto percentual na taxa explica, sozinha, cerca de 7,4 pontos percentuais dos 8,17% de alta do título de 2050, e o restante veio do rendimento do período.

O mesmo raciocínio vale fora da renda fixa. Empresas de energia elétrica, saneamento e outros serviços regulados têm receitas previsíveis por décadas, e fundos imobiliários recebem aluguéis corrigidos pela inflação por muitos anos. São fluxos longos, de modo que o valor dessas companhias e desses fundos sobe quando o juro real cai e recua quando ele sobe, quase como um título de longo prazo. Eleição, juro americano e inflação acabam, assim, no mesmo ponto: todos alteram a taxa usada para calcular quanto vale hoje um dinheiro distante muitos anos.

A AÇÃO QUE O MOMENTO PEDE

Volatilidade em ativo longo é a contrapartida do prêmio e se administra pelo tamanho da posição, não pela tentativa de adivinhar a data certa. Duas classes cumprem papéis complementares nesta travessia: os títulos atrelados à inflação, que preservam o poder de compra de quem os leva ao vencimento, embora oscilem no caminho, e os ativos dolarizados, que tendem a amparar o patrimônio quando o risco doméstico aumenta. Somados a uma reserva de liquidez, eles ajudam a atravessar qualquer um dos três cenários sem a necessidade de vender no pior momento. A proporção de cada um depende do seu perfil e do seu prazo, e essa calibragem é assunto para tratar com o seu assessor.

Síntese: a tese encadeada

Em dois meses, os ativos brasileiros subiram por três componentes que se somaram: (i) preços de partida baixos; (ii) inflação e juros cedendo; (iii) uma disputa presidencial que ficou em aberto. O terceiro é, por enquanto, apenas expectativa. O primeiro turno é a ocasião inicial em que essa expectativa será conferida, com eleitores decididos, pesquisas divergentes e três cenários plausíveis para a segunda-feira.

Qualquer que seja o resultado, o canal é um só. A urna muda a leitura que se faz da dívida, a dívida define o juro longo, e o juro longo determina o preço de tudo o que tem prazo, dos títulos de 2050 às empresas e aos fundos de fluxos longos. Quem entende essa cadeia deixa de acompanhar o placar e passa a acompanhar o juro longo, o primeiro dos três sinais.

O RISCO PRINCIPAL DA TESE

O risco é a expectativa correr à frente da realidade. Se o primeiro turno, um eventual segundo ou o próprio ano de 2027 frustrarem a aposta em um ajuste das contas, o juro longo volta a subir, e os ativos de maior ganho em setembro são os que mais recuam. Há também o risco externo, que independe da urna: petróleo perto de US$ 100 e juro americano de dez anos no maior patamar em mais de duas décadas reduzem a margem de erro do Brasil. Em ambos os casos, a estratégia se mantém, porque juro real contratado, proteção em moeda forte e liquidez tendem a amortecer os períodos em que o ambiente demora a melhorar.

Recado ao nosso cliente

Toda eleição apertada produz a mesma pergunta, e eu a ouvi muitas vezes nas últimas semanas: o que eu faço com a minha carteira antes de domingo? A resposta honesta é que o trabalho mais importante foi feito nos meses de pouca disposição para comprar. Momentos em que juro real elevado, ativos descontados e uma decisão coletiva desse tamanho se encontram são raros e acontecem uma ou duas vezes em uma vida de investimento, e quem os alcança preparado não precisa de pressa.

A história brasileira mostra os dois lados. Houve períodos em que a confiança voltou e quem mantinha títulos longos e ações de boas empresas foi recompensado por anos, e houve outros em que a esperança durou pouco e quem havia concentrado tudo em um único desfecho arcou com perdas relevantes. A diferença entre os dois grupos nunca foi a capacidade de prever, mas a forma como a carteira estava montada.

O meu pedido para esta semana, portanto, é simples e não envolve assumir nenhum risco novo. Não mude a carteira por causa de uma pesquisa, nem na véspera, nem na segunda-feira de manhã. Confira com o seu assessor três pontos: (i) se a sua reserva de liquidez está no lugar; (ii) se a parcela em títulos atrelados à inflação tem prazo compatível com os seus objetivos; (iii) se a exposição a moeda forte está no tamanho que o seu perfil comporta. Com os três em ordem, você estará mais bem preparado para qualquer resultado, sem depender de promessa de retorno.

Quem chega ao patrimônio que merece não chega por acertar o vencedor de uma eleição. Chega por combinar disciplina, paciência e a coragem de manter o plano quando o ruído aumenta. A hora da verdade de domingo é do país. A do investidor acontece todos os dias, em silêncio, a cada decisão de seguir a estratégia, e é nela que a Cash Wise caminha ao seu lado.

Sobre o autor

Rafael Costa (CGA | CFP®)

Fundador e CEO da Cash Wise

Rafael Costa

Investidor no mercado financeiro desde 2006 e educador financeiro desde 2017, Rafael Costa reúne mais de vinte anos de experiência em finanças, gestão e tecnologia, e carrega as principais certificações do mercado brasileiro, entre elas a de gestor de recursos e a CFP®, de alcance internacional.

A trajetória começou pela educação, quando ele passou a falar publicamente sobre investimentos para ajudar as pessoas a organizar a própria vida financeira, movimento que deu origem ao Cashflix em 2020.

Foi de dentro daquela escola que veio o passo seguinte, porque em 2022, ao lado de cinco alunos, ele fundou a Cash Wise, hoje um escritório credenciado pela XP Investimentos que reúne mais de 60 assessores, atende mais de 2.800 clientes e administra R$ 500 milhões sob custódia, com presença em mais de doze estados brasileiros e atendimento também a clientes no exterior. Esse crescimento rendeu à casa, em 2025, o reconhecimento da XP entre os escritórios que mais se expandem no país, no mesmo período em que Rafael figurou, mais de uma vez, entre os educadores financeiros mais influentes do Brasil, segundo a ANBIMA (Finfluence).

É dele a leitura de cenário que dá origem a esta carta, escrita mês após mês com a mesma convicção que orienta a casa desde o primeiro dia, a de que alinhamento de interesses, visão de longo prazo e acompanhamento próximo são exatamente o que separa uma assessoria de verdade de um vendedor de produtos.

2006 Investindo no mercado
2017 Educando investidores
2022 Fundação da Cash Wise
+60 Assessores no time

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Esta carta chega uma vez por mês, mas o mercado se move todos os dias, e é nas redes sociais que eu comento as decisões que mexem com os preços, compartilho o que ando estudando sobre alta performance em investimentos e mostro os bastidores da Cash Wise. Se o que você leu até aqui fez sentido, me acompanhe por lá, vai ser um prazer ter você por perto entre uma edição e outra.

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